Noticias sobre figo
O projeto operacional GoFigoProdução apresentou no dia 1 de outubro os resultados do seu programa de quatro anos a investigar novas técnicas de cultivo “racionais”, ao encontro do que se designa de “agricultura inteligente”, para a cultura do figo em Torres Novas. O resultado deste trabalho é um caderno de boas práticas, que prometem uma melhoria na produção e qualidade com menos custos e maior sustentabilidade de recursos, e a criação de uma associação de produtores.
A GoFigo quer agora avançar para novas etapas do seu projeto global de promoção do figo, nomeadamente criando uma Denominação de Origem (DO) ou Indicação Geográfica (IG) do figo preto torrejano.
A GoFigo é um consórcio de entidades privadas e instituições públicas que se candidatou a fundos disponibilizados pela Rede Rural Nacional (estrutura ligada ao Ministério da Agricultura) para estudar novas técnicas de cultivo que possam revitalizar e ajudar a promover o figueiral, um setor em decadência no concelho de Torres Novas.
Leia a notícia completa no site do Médio Tejo aqui -> https://www.mediotejo.net/torres-novas-gofigo-cria-sociedade-de-produtores-e-luta-agora-pela-denominacao-de-origem-do-figo-preto/
Sandra Silva, a mulher que quer modernizar a produção de figos
Em Casais de São Lourenço, concelho de Mafra, Sandra Silva, 49 anos, descobriu o amor pela terra. Cresceu a admirar a mãe, que tratava do pomar e das hortas, “fazia acontecer”. Esta é uma das boas recordações que guarda da infância, o florescimento dos frutos e hortícolas, cujas sementes a mãe deitava à terra.
Na vida adulta, decidiu estudar Gestão na Universidade Católica de Lisboa e a sua vida profissional tem sido feita nesta área, embora a terra continue a falar alto. Tão alto que, há cerca de dois anos, comprou um terreno em Santarém, com 8 ha, que batizou de Fazenda das Courelas e dedicou-se à produção de figos, “uma cultura adaptada à região e que possa coexistir com a minha atividade profissional”.
Assim se escrevem as primeiras linhas da história de uma das vencedoras da Academia do Centro de Frutologia Compal 2020, responsável por um dos projetos vencedores da edição do ano passado. Sandra Silva conheceu a Academia através de uma amiga, que lhe enviou informação sobre o concurso. “Quando li o regulamento, pensei: isto é para mim, quer a nível de critérios de elegibilidade, quer pelo espírito que sinto neste regulamento”.
Este foi o primeiro passo para que a empresária e gestora de 49 anos vencesse a Bolsa de Instalação da Academia do Centro de Frutologia. Uma bolsa que vai ser utilizada em tecnologia na sua Fazenda das Courelas, em Santarém. “Queremos tornar o sistema de rega mais inteligente, com sondas e com monitorização da humidade, temperatura e com a aplicação da Wisecrop”, um sistema operativo da agricultura.
Criar um campo experimental com figueiras é, apenas, uma das consequências positivas por ter participado na Academia do Centro de Frutologia da Compal. Otimizar a quantidade de água para a rega das figueiras e otimizar também a sua produção e o seu crescimento ou avaliar qual o sistema de produção que por hectare e para cinco variedades apresenta a melhor rentabilidade são os objetivos para este campo experimental de figueiras. Mas há mais. Sandra irá também tentar desenvolver, com outros colegas, um robô para a colheita dos figos. “Estamos a pensar falar com uma universidade que tenha interesse e nos apoie a mecanizar a colheita do figo, que é muito difícil”, explica Sandra.
Outro objetivo passa também por tentar descobrir o porquê de os figos lampos caírem, já que “o figo que cai não vinga, é produção desperdiçada”. Estes figos lampos são os que ficaram na figueira no inverno anterior, hibernaram e que, em março, começam a crescer. Já os figos vindimos, os que crescem de agosto em diante, são produzidos à escala mundial em grandes quantidades. Uma vez que a vantagem competitiva de Portugal é nos figos lampos, colhidos em junho, Sandra e a equipa querem tentar tirar partido desta produção nacional, tentar perceber o porquê destes figos caírem e não vingarem, para encontrar a resposta para maximizar esta produção.

O melhor que Sandra Silva leva da Academia são os contactos, os conhecimentos que adquiriu, não só na parte agrícola como no marketing digital, e a abertura de horizontes. “Estar com pessoas do meio e da área e perceber que essas pessoas acreditam em nós e nos reconhecem é muito bom para quem está a começar, dá confiança”, diz Sandra Silva. A empresária que sonha em exportar um dia os seus figos lampos para a Europa, através da empresa que fundou em 2020, a Gofigo.
Para seguir o exemplo de Sandra Silva só tem de clicar neste link, as candidaturas estão abertas até 31 de julho de 2021. Podem candidatar-se empreendedores que pretendam criar ou expandir o seu negócio frutícola, com projetos numa das seguintes frutas: alperce, ameixa, ameixa Rainha-Cláudia, amora, cereja, clementina, diospiro, figo, figo da Índia, framboesa, groselha, laranja, limão, kiwi, maçã, marmelo, melancia, melão, meloa, mirtilo, morango, pêssego, pera rocha ou romã. Os cinco melhores recebem uma bolsa de 20 mil euros após o final do programa de formação.
Referencia: https://observador.pt/2021/05/31/sandra-silva-a-mulher-que-quer-modernizar-a-producao-de-figos/
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Ainda há quem acredite na cultura do figo preto de Torres Novas
A produção de figo preto na zona de Torres Novas tem sido desvalorizada ao longo dos anos. Muitos foram os que abandonaram as figueiras. Os custos de produção e o trabalho que dá fizeram muitos desistir. Ainda assim há quem acredite que é possível crescer apostando na modernização.
A ideia de que a cultura do figo preto está a morrer na região de Torres Novas não convence Michele Rosa, uma produtora, de 42 anos, que pegou nas figueiras que já vinham dos seus avós e nas quais os seus pais continuaram a investir em A-do-Freire.
Quando se apercebeu que as técnicas utilizadas no tratamento das figueiras e dos solos não evoluíam desde o tempo do seu avô, Michele Rosa teve a ideia de criar um grupo operacional de investigação. Estava em 2014 quando começou a preparar tudo e em 2018 conseguiu avançar.
É assim que surge a GoFigo, pelas ideias de quem quis mostrar que é possível valorizar e desenvolver a produção de figo. “Apercebi-me que a procura é grande mas não há produção para dar resposta. Actualmente consigo escoar as cerca de quatro toneladas de figo que produzo e só não vendo mais porque não tenho”, admite Michele que gere mais de 1.500 figueiras em 10 hectares.
Ao longo dos anos a GoFigo, que tem como objectivo principal melhorar a qualidade e produtividade das figueiras através da modernização das técnicas utilizadas e da eficiente utilização do solo, já conseguiu reunir nove associados. “Apenas o início de algo que pode ser muito maior”, confessa com esperança.
O intuito passa por conseguir reunir os pequenos produtores valorizando o que produzem e dando-lhes mais e melhores conhecimentos e ferramentas para rentabilizar o negócio, incluindo apoio na comercialização. Cada um dos associados entrega a sua produção à GoFigo que, a preço justo, tratará de comercializar o produto.
A descoberta continua a fazer parte do dia-a-dia de quem gere a GoFigo, que aguarda agora os resultados de uma nova investigação: as figueiras em regadio. “Até agora só sabemos como é o figo preto de figueiras em sequeiro. Queremos ver se o figo fica melhor, ou não, com a cultura em regadio”.
Quanto ao futuro, Michele diz não colocar em causa a capacidade de sobreviver e de ser cada vez mais valorizada. “Basta para isso que se investigue e que os pequenos produtores aceitem evoluir. Se nos unirmos e tivermos uma produção que responda às necessidades do mercado temos tudo para dar certo”, afirma a empresária que já exporta para os Estados Unidos da América.
Apostar nos pequenos produtores
Michele garante que vai continuar à procura de pequenos produtores na região que queiram embarcar consigo nesta aventura de valorizar o figo de Torres Novas. São produtores como Paulo Mendes, Fátima Baptista e o seu marido Martinho Baptista que a criadora da GoFigo procura, para incentivar e mostrar que é possível viver desta produção.
Estes três pequenos produtores são os últimos em Árgea, concelho de Torres Novas, todos com mais de 60 anos. Em conversa com O MIRANTE dizem já não ter idade para continuar muito mais tempo a trabalhar as fazendas que herdaram dos pais. A responsável pela GoFigo diz que tem solução para os problemas dos herdeiros das propriedades, assumindo as explorações com a assinatura de contratos.
Paulo Mendes tem cerca de 150 figueiras que, num ano bom, dão mais de duas toneladas de figo. “Mas muito deste serve apenas para darmos ao gado. É o que chamamos figo do monte”, explica.
Já o casal Fátima e Martinho, neste momento, trata das 50 figueiras que lhes restam. “Já não temos capacidade para investir em novas figueiras”, assumem.
Produção sem químicos
Tudo o que fazem aprenderam com os seus pais e foram mantendo ao longo dos anos. Confessam não ter investido em formação ou em novas técnicas na produção e apanha do figo. Para além da limpeza das figueiras, que realizam duas vezes por ano, uma em Novembro e outra em Fevereiro, limitam-se a amanhar as terras para que tudo esteja limpo.
Não é utilizado nenhum tratamento. “A única coisa que faço”, diz Paulo Mendes, “é espalhar garrafões com água do bacalhau. Isso atrai os bichos e evita que eles comam o figo ainda fresco”. A própria apanha do figo, em finais de Agosto e Setembro, é toda manual. Juntam a família e alguns amigos que aceitam ajudar e durante mais de um mês apanham o figo que já caiu no chão. O processo é trabalhoso e demorado e os resultados, muitas vezes, não são os melhores. “Precisamos de muito quilo de figo, de muito tabuleiro escolhido, para conseguirmos uma mão de boas passas”, revelam.
Quanto à produção deste ano ainda é cedo para dar palpites. Tudo depende dos meses de Verão. Se começar a chover já sabem que vai ser um ano mau, “pois o figo é muito sensível e se chover estraga-se mais”, diz Fátima.
Negócio não compensa
Dantes a produção do figo dava para viver. Actualmente o pouco que conseguem vender não chega para pagar as despesas, muito menos o trabalho de cuidarem das árvores. “Se estivéssemos à espera disto para comer já tínhamos morrido à fome. Os preços estão muito baixos”, lamentam.
Referencia: https://observador.pt/2021/05/31/sandra-silva-a-mulher-que-quer-modernizar-a-producao-de-figos/
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O artigo relata uma sessão de avaliação sensorial realizada em parceria com o COTHN (Centro Operativo e Tecnológico Hortofrutícola Nacional) e o INIAV (Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária), como parte do esforço para valorizar e qualificar o figo local. Durante o evento:
- Objetivo: Identificar características distintivas do Figo Preto de Torres Novas (ex.: sabor, textura, aroma) para suportar a candidatura a uma Denominação de Origem (DO) ou Indicação Geográfica Protegida (IGP).
- Metodologia: Painéis de degustação com especialistas e produtores analisaram amostras de figos frescos e secos, comparando-os com outras variedades.
- Resultados: O Figo Preto destacou-se por sua doçura intensa, polpa suculenta e casca fina, características que reforçam seu potencial para certificação e comercialização premium.
- Contexto: A avaliação é um passo do GoFigoProdução, que busca não só melhorar práticas de cultivo, mas também posicionar o figo no mercado como um produto de excelência.
Conexão com Michele Rosa e o GoFigoProdução
Embora o artigo não mencione diretamente Michele Rosa, ele está alinhado com a apresentação dos resultados do projeto em outubro de 2021, onde ela destacou a qualificação do Figo Preto de Torres Novas como uma meta futura. A avaliação sensorial de fevereiro de 2021 foi uma etapa inicial que culminou nos avanços reportados por Michele, como a criação da sociedade GoFigo e o desenvolvimento do "Caderno de Boas Práticas". O artigo reforça o trabalho colaborativo com INIAV e COTHN, citado na apresentação de Rosa, e sublinha a importância de caracterizar o figo para agregar valor.
Relevância
Este artigo é uma fonte complementar ao tema "FIGO - Um Fruto Tradicional com Perspetivas Futuras", especialmente no que diz respeito à valorização do produto e à exportação. Ele mostra como o GoFigoProdução não se limitou ao cultivo, mas também investiu em aspectos sensoriais e de mercado, passos cruciais para a certificação e competitividade.
Referência Formatada
- Voz do Campo. (9 de fevereiro de 2021). "Avaliação Sensorial do Figo de Torres Novas." Disponível em: https://vozdocampo.pt/2021/02/09/avaliacao-sensorial-do-figo-de-torres-novas/.
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